Teatro
O Fantasma da Ópera
O Fantasma da Ópera
Nova Iorque
Majestic Theatre
2014
Eu a vi na Broadway com o Jean Paul. Um teatro inteiro aplaudindo de pé por minutos que ninguém queria que terminassem. A arte também tem um rosto

Há espetáculos que a gente aproveita.
E há outros que permanecem para sempre na memória.
O Fantasma da Ópera foi um deles.
Tive a oportunidade de assisti-lo na Broadway, em Nova York, junto com meu filho.
Compartilhar essa experiência com ele tornou tudo ainda mais especial.
Desde o momento em que as luzes se apagam, a gente compreende que não está diante de uma obra qualquer.
Está diante de uma obra de arte construída ao longo de décadas.
As vozes são arrepiantes.
Não importa quantas gravações eu tenha ouvido antes.
Quando uma soprano preenche um teatro com uma única nota, a gente entende que há coisas que só podem ser vivenciadas ao vivo.
E depois há a cenografia.
Sempre me impressionou a capacidade das grandes produções da Broadway de criar mundos inteiros sobre um palco.
Tudo parece impossível.
E, no entanto, acontece diante dos seus olhos.
As mudanças de cena.
A iluminação.
Os movimentos.
Cada detalhe é pensado para que o espectador deixe de olhar para um palco e comece a acreditar em uma história.
Enquanto assistia à obra, pensava que a verdadeira magia não residia apenas na tecnologia.
Estava na enorme quantidade de pessoas que trabalham durante anos para que, durante poucas horas, milhares de desconhecidos esqueçam que estão sentados em uma poltrona.
Isso também é excelência.
Não fazer as coisas para chamar a atenção.
Fazê-las tão bem que o espectador deixa de pensar no esforço que há por trás.
Sair do teatro foi sair com uma sensação muito parecida com a que os grandes livros deixam.
Não porque a gente se lembre de cada detalhe.
Mas porque algo muda por dentro.
Porque a arte, quando atinge esse nível, deixa de ser entretenimento.
Transforma-se em uma experiência.
E essas experiências são as que permanecem conosco muito depois que a cortina cai.
Minha reflexão
Cada vez admiro mais as pessoas que dedicam sua vida a aperfeiçoar um ofício.
A excelência raramente surge de forma espontânea.
É o resultado de milhares de horas de trabalho silencioso que quase ninguém vê.
Talvez por isso a verdadeira arte sempre emociona.
Porque por trás de cada instante perfeito há uma vida inteira dedicada a construí-lo.
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